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Versione di Riccardo Venturi __________________________________________________________ E após, e após A gente vem pr'aqui e te diz Que já sabe todas as leis das coisas. E todos, sabes, Orgulham-se como cegos De verdades feitas de fórmulas vazias, Dizer-te o que há-de fazer, Que leis há-de respeitar, Que regras há de observar, O que é a verdade sem falta E após, e após, Todos fechados em tantas celas Falam um mais alto do outro P'ra não dizer que estrelas e morte Fazem medo. À beira-mar, no sol quente Estava a ir a menina portuguesa. Não havia palavras, só um barulho Como vozes surpresas. Só havia o mar, E o seu primeiro biquini amaranto, As coisas mais lindas, E a alegria do calor na pele. Os amigos perto dela pareciam Sumergidos pela voz do mar; Sonhos, visões, uma ou outra a tomou E começou a pensar; Sentiu que era un ponto No limite dum continente, Sentiu que era nada O Ocêano imenso diante dela E nisso sentia Algo tão grande Que não conseguia alcançar, Que não podia perceber; Te-lo-ia explicado Se o tivesse percebido Ela, e o Ocêano infinito; Mas o calor a envolveu, Sentiu-se esvair e adormeceu, E só foi do sol, Como de mãos para vir, Só ficou o mar, O mar e um biquini amaranto. E após, após, No meio das tuas lembranças Vais perceber Que não te importa disso, Vais perceber Que uma tarde ou uma estação São relâmpagos, Luzes acendidas e apagadas. Vais perceber Que a verdadeira ambiguidade É a vida que a gente vive, É o que a gente chama Ser homes, E após, após, O vício que nos vai matar Não será fumar, beber Mas o que temos em nós, Isto é viver, viver, Viver, viver. ___________________________________________________________ |
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